Aldeia mineira do Lousal vai ter criação colectiva – Protocolo entre Câmara de Grândola e Faculdade das Belas Artes de Lisboa

Cultura, Património

 

A Aldeia mineira do Lousal, concelho de Grândola, vai receber dentro de um ou dois anos uma criação artística colectiva de homenagem ao movimento operário mineiro, elaborada por professores e alunos da Faculdade das Belas Artes de Lisboa e a população local. O projecto de arte pública coordenado pelo professor e escultor Sérgio Vicente resulta de um protocolo celebrado a 16 de Novembro entre o presidente da Câmara Municipal de Grândola, António Figueira Mendes, e o presidente da Faculdade das Belas Artes da Universidade de Lisboa, Vítor dos Reis, numa cerimónia decorrida no Cine Teatro Granadeiro.

Sérgio Vicente, docente do departamento de escultura da Faculdade das Belas Artes, e um dos proponentes deste projecto, salientou que é “uma honra implementar um projecto de arte pública, muito especial e participativo, no concelho de Grândola”, que será desenvolvido em duas etapas: a primeira é o envolvimento de uma série de técnicos e alunos no terreno de trabalho com a comunidade de preparação do projecto de arte pública, na recuperação de memórias colectivas, uma espécie de maquete, e a segunda será a implementação da obra, num acto criativo com os artistas, num espaço ainda a definir.

“Este contacto com uma realidade fora da universidade é importantíssimo em termos pedagógicos para os próprios alunos que estão a desenvolver os seus projectos de aprendizagem”, disse ainda o escultor, sublinhando que é “um projecto de arte pública que não se vai materializar numa escultura ou monumento evocativo de uma determinada temática ou acontecimento mas sim um projecto que se vai construindo, trabalhando com as populações que vivem nesse lugar”.

O professor considera que a arte pública é “uma das componentes importantes para o desenvolvimento social e cultural das regiões”.

Vítor dos Reis classificou o acto de assinatura do protocolo “simbólico e particularmente importante”. “Há uma dupla importância para a Faculdade das Belas Artes”, por um lado, permite “sair fora de portas e abrir-se ao exterior, vivermos mais num mundo real, porque tem um longo historial de estar fechada sobre si própria por condicionalismos seus, culturais do país e da capital”, e por outro levará “à concretização da nossa missão, que não se pode resumir à formação dentro de portas mas sim à capacidade de criar interações e parcerias com outras entidades”, como esta com o município.

O responsável realçou “a natureza tão específica e aberta deste projecto” em colaboração com a comunidade da aldeia mineira para “transformações positivas” e com o Centro Ciência Viva.

Já António Figueira Mendes, que ofereceu uma pequena escultura de Pedro Fazenda a Vítor dos Reis, afirmou que é “um desafio para nós e a questão da arte pública mobiliza-nos, a arte tem de ser popular e não somente dos artistas”, sublinhando que “é preocupação do município não deixar morrer o Lousal e as memórias daquela aldeia mineira que ao longo de muito anos temos vindo a investir e a acompanhar a população, com a criação de habitação social e boas condições de vida” e “rentabilizar este processo com a arte, cultura, ciência e tecnologia como sãos os casos do Centro de Ciência Viva, o Museu do Mineiro e a galeria”.

“Temos ali um elemento dinamizador do ponto de vista económico e social, precisamos de continuar a ter a parceria da Sapec, que se vai afastando cada vez mais, mas que procuramos agarrar, no sentido desta aldeia ter futuro diferente”, salienta o edil alentejano.

De referir que o processo de criação da obra de arte pública, que envolverá algumas dezenas de pessoas será apoiada a nível logístico pela autarquia. A construção do projecto no espaço ainda a definir será paga pelo município.

 

 

 

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