Projecto em análise: Setúbal pode ter hospital de rectaguarda com 150 camas

Setúbal

 

Setúbal pode receber uma unidade hospitalar de rectaguarda por iniciativa do Instituto de Ciências Biomédicas e Humanas (ICBMH), instituição sem fins lucrativos, a primeira da região. Neste momento decorrem contactos com entidades oficiais para apresentação do projecto e sua implementação.

O projecto “surge como resultado dos esforços empreendidos pelos seus fundadores em prol da comunidade, a fim de reduzir o sofrimento de uma grande parcela carente de população, que vive próximo da linha economicamente mais débil, requerendo apoio das estruturas público-privadas, com vocação social e humanitária”, refere Ferreira Alemão, médico especialista em patologia e biologia molecular, oncologia cirúrgica e professor associado da Universidade Complutense de Madrid.

“Este trabalho resulta de um percurso académico-hospitalar e ambulatório” de Ferreira Alemão “que perdura desde há 48 anos de actividade médico-científica, mantida unicamente com a dedicação de uma vida ao serviço da sociedade civil”, refere ainda Ferreira Alemão.

O hospital de rectaguarda deverá ter capacidade de cerca de 150 camas e a taxa de ocupação deverá girar em torno de 75 por cento, ficando as camas restantes para atendimentos a emergências. “Com a sua criação, serão atendidas entre 500 a 1.000 pessoas por ano, em regime de internamento, bem como serviços de apoio emocional e material às famílias destes pacientes. Prevê-se a realização de mais de 2.500 visitas domiciliares por equipas multidisciplinares da unidade hospitalar de rectaguarda, compostas por enfermeiros, assistentes sociais, fisioterapeutas, nutricionistas e médicos. A qualidade dos cuidados de saúde a prestar e a situação social dos usuários na comunidade onde está inserido o ambiente sócio-familiar do paciente e seu agregado familiar.

Este projecto vem “ao encontro das necessidades sociais e cívicas da população de Setúbal (…) apoiando unidades hospitalares e centros de saúde da península de Setúbal, com o atendimento a pacientes crónicos, oferecendo-lhes um serviço de internamento de longa permanência, bem como às Organizações Não Governamentais e à sociedade civil, que também possuem pacientes de alta complexidade, mas não dispõem de estruturas adequadas, nem condições de prestar cuidados semi-intensivos”, refere ainda o médico.

“Essa população de pacientes hoje pode ser referenciada para esta nova instituição, segundo protocolos estabelecidos e de acordo com as normas da saúde e vigilância sanitária vigentes”, adianta.

Actualmente, em Portugal, verifica-se a existência de acamados (de modo improvisado) nos corredores, uma triste realidade ainda enfrentada por muitos hospitais públicos, como forma de aumentar a capacitação nos hospitais onde existem serviços de urgência. Com efeito, as camas de rectaguarda conseguem aliviar a dificuldade de capacidade dos hospitais, com um fluxo dinâmico de pacientes entre o hospital da frente e o hospital da rectaguarda.

 

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